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Tangas Lésbicas

lésbicas de tanga na tanga - em busca do seu passo doble perfeito - desfiando as linhas que cosem as tangas - que nos devolvem envolvem - pingas que tingem a linha da tanga - todas as tangas são iguais - mas estas são as melhores - tangas lésbicas

Tangas Lésbicas

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resoluções de ano novo

 
- Ouvi dizer que tem para aí uma lista de resoluções para este ano.
- E ouviu bem.
- Posso continuar a ouvir?
- Como?
- Assim tipo: a menina conta-mas e eu escuso de andar por aí à coca a ver se descubro o papelinho em que as anotou para coscuvilhar as suas intenções.
- A menina tem uma lata...
- Vá lá, diga lá o que resolveu.
- Muito bem. Se quer que lhe diga, cá vai.
- Sou toda ouvidos.
- Em primeiro lugar está, claro, a dieta que se seque à comezaina do Natal e da festa de fim de ano.
- Muito bem. A esse respeito, eu passo. Não se importa, pois não?
- Desde que depois não venha aborrecer-me porque a roupa não lhe serve...
- Muito bem. Adiante, adiante.
- Em segundo lugar, tenho de trocar de carro que esta coisa de andar de jipe já começa a cansar-me.
- Pois é... Está ultrapassada essa coisa da lésbica equipada com tracção às quatro rodas...
- Não seja sarcástica, porque não a vejo queixar-se quando anda comigo.
- Isso é verdade, especialmente de inverno, que já me custa um horror andar de mota com as
temperaturas que têm estado.
- Não acha que ultrapassada está essa sua mania 'dike on bike'?
- Ultrapassada? Por quem?
- Pela sua idade. Pelo fim da flower power generation há que séculos.
- Não diga disparates. Eu gosto de clássicos: bike on dike sim, sobretudo na minha HD.
- Pronto, pronto. Posso continuar?
- Continue, que estou a gostar.
- Também vou mudar o estúdio para mais perto de casa. Começo já amanhã a ver o que há por aí.
- Mais perto de casa? Quão perto de casa?
- Tão perto quanto possa vir almoçar a casa, por exemplo.
- Almoçar em casa? A que propósito? Quer arruinar definitivamente toda e qualquer possibilidade que eu tenha de dar uma ou outra escapadela?
- Lá está a menina com os seus dramas. Vou mudar o sítio do atelier e está decidido. Estou farta de passar horas no trânsito para ir trabalhar e depois para vir para casa.
- Bem, há sempre a hipótese de escolher alguém com casa própria e desabitada à hora do almoço...
- Quem a ouça vai julgar que anda para aí numa vida desgraçada.
- E ando. Sem um único affair digno de nota.
- Eu dou-lhe a nota...
- Pronto. Mais resoluções?
- Outra resolução importante é não a deixar dizer nem escrever mais parvoíces do que o humanamente aceitável.
- Vou enfrentar a censura?
- Não.Só que a minha mãe deu com o Tangas e desconfiou que fosse a menina.
- Ai a sogrinha anda a ler textos ímpios à hora do chá?
- Já sabe que ela lê e vê tudo. E agora anda com a mania que a menina está sempre a escrever sobre nós. Anda a sondar-me e eu não estou para isso.
- Ah... Então quer censurar-me porque a sua mãe lê o blogue? Não lhe ocorreu explicar-lhe que a escrita não tem de ser propriamente autobiográfica e que a ficção lhe dá imensa graça?
- Não quero censurar absolutamente nada. Estou só a pedir-lhe que tenha cuidado. estou cheia de ouvir piadinhas das amigas e agora da minha mãe.
- Hum... Até estou contente por me ter falado nisso.
- Está?!
- Estou, a sério. Até acabei de tomar a minha resolução de ano novo e tudo.
- Hum... E qual é?
- Vou passar o ano de 2007 a escrever o que me der na realíssima gana e a eliminar dos meus escritos toda e qualquer inibição em relação aos tabus dos outros.
- Não se lhe pode dizer nada, pois não?
- Nada que me ofenda, não. Já tenho de lidar com todo o tipo de susceptibilidades das primas menos convictas, mais as fragilidades da nossa aparente 'legalidade'. Só me faltava agora era a peneira da sogra que confunde a ficção com a realidade. Qualquer dia aparece um casal de lésbicas na telenovela e ela julga que fui eu que as pus lá de propósito...
- Lá está a menina a trepar de tom, como se a tivessem eleito a senhora vítima do ano.
- Vítima não. Nenhuma lésbica é vítima. Por definição, uma lésbica é culpada, visto que ninguém a mandou ser como é.
- A menina é impossível! Já transformou esta conversa numa discussão de direitos das lésbicas.
- Direitos inalienáveis, não se esqueça.
- Só lhe pedi alguma moderação, credo.
- Não senhora. O que a menina me pediu foi para não escrever o que tenho vontade de escrever, porque posso incomodar a sua mãe. E o que eu acho é que a sua mãe já é crescidinha e sobrevive com certeza a uma historinhas debitadas num blogue. E também acho que a menina já me conhece e sabe que um pedido desses só pode dar mau resultado.
- Já percebi. Podemos esquecer esta parte da conversa e começar do princípio com as nossas
resoluções de ano novo?
- Depende.
- Depende de quê?
- Do que a menina tiver para a troca...

2 comentários

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    Tangas 03.01.2007 11:36

    ah... a misteriosa, a maravilhosa, a magnífica Ana Zanatti... a inexcedível, a indiscutível, a inantingível diva das décadas de 70 e 80. e 90 e por aí fora... nunca mais houve outra igual, pois não?

    sim, mais vale quebrar que torcer, até porque a mim, torce-se-me apenas a boca de contrariedade.

    brincadeira? a vida real e a ficção, é o que quer dizer não é? é que a maioria das pessoas, ao reconhecer na ficção o que se passa na vida real, não consegue deixar de pensar que o que ali está é a autobiografia de quem ficciona. essa é a primeira parte da brincadeira.

    a segunda é o humor. todas as situações são um pouco levadas ao exagero para arrancar um sorriso a quem lê, na esperança de que o sorriso seja o antídoto para as espetadelas que se vão dando nas consciências menos dadas à experiência do livre arbítrio e da liberdade de expressão.
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