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Tangas Lésbicas

lésbicas de tanga na tanga - em busca do seu passo doble perfeito - desfiando as linhas que cosem as tangas - que nos devolvem envolvem - pingas que tingem a linha da tanga - todas as tangas são iguais - mas estas são as melhores - tangas lésbicas

Tangas Lésbicas

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as causas dos outros

- Onde é que a menina andou?
- Fui ali às francesinhas com a Francisquinha e a Beta.
- Francesinhas? Ao jantar? Depois anda para aí a engolir chávenas de chá e a queixar-se do fígado.
- O fígado ainda só se queixou dos finos e delegou no estômago a possível regurgitação do bife, da linguiça e do ovo – parece que estive a comer as hordas napoleónicas inteiras…
- É bem feita! E do que estiveram a falar?
- Do antigamente, claro, do antigamente.
- Antigamente o quê?
- Como é que as primas se encontravam antigamente. Porque não é como agora, que há bares em todas as esquinas.
- E então como é que se encontravam?
- Nos cabarets e bares de má fama e depois, a certa altura, nos clubes com shows de travestis. À falta de melhor…
- Devia ser degradante.
- Para quem? Para nós, para os travestis, para as mulheres de mau porte ou para todos em geral?
- Para todos, claro, mas para nós também, que ainda hoje somos confundidas com marginais.
- Naquela altura éramos consideradas marginais. Ainda o somos e por muito boa gente.
- Isso é verdade. Se bem que a boa gente não trate as lésbicas ou os homossexuais como marginais.
- Ainda pairamos numa espécie de terra de ninguém, com fronteiras muito mal definidas.
- Concordo consigo.
- Concorda comigo mas não vai ao Pride nem a nenhuma iniciativa pública pró lgbt…
- O que tem uma coisa que ver com a outra?
- Tudo. É que se hoje em dia há bares lgbt em que a menina pode andar a pavonear o blusão de ganga e as suas Nike para as outras garotas, é porque já houve gente a pavonear publicamente a sua orientação sexual para garantir que os bares e outras coisas são possível.
- Há-de adiantar muito andar acima e abaixo na avenida da Liberdade a deixar os jornalistas fotografar drag queens e a dá-las como exemplo de homossexuais.
- Nem todos os jornalistas são confusos, embora quase todos os editores se empenhem em o ser… Mas voltando à vaca fria, é graças a essas andanças que a menina tem hoje os seus estabelecimentos lgbt friendly. Ou acha que eles são de geração espontânea e que só existem agora porque só agora alguém se lembrou de que eram um óptimo nicho de negócio?
- Eu não disse isso, mas desaprovo totalmente o circo que se arma nessas alturas.
- E como é que sabe que se arma um circo se nunca foi até lá ver? Como é que sabe se esse não é, justamente, o circo armado pela comunicação social? Como é que pode falar antes de sair de casa e participar, experimentar, para poder ter voz activa no assunto?
- Também não preciso de ir até ao Iraque para saber que há guerra lá…
- Um quintal de cada vez. Comece pelo seu: onde é que está a guerra, o circo ou lá o que acha que há?
- Não acho nada. Falo do que se ouve na têvê e nos jornais.
- E acha que eles sim, sabem do que estão a falar, melhor do que eu e todos os outros parvos que andam na avenida da Liberdade para trás e para a frente, a pedir a sua atenção e a das outras pessoas para coisas importantes, para ver depois passar um grupo de drag queens na têvê e mais duas fotografias coloridas nos jornais?
- Olhe, eu só sei que tenho escolha e a minha é não me misturar nessas demonstrações de mau gosto.
- Como se não fosse de mau gosto ir pavonear-se com o último casaquinho que comprou para um qualquer bar do Bairro Alto, à espera que reparem em si, em vez de engrossar o número de pessoas sérias que preferem esperar que reparem nelas quando desfilam na avenida da Liberdade…
- A menina às vezes é mesmo desagradável.
- E a menina não só é desagradável, como fala do que nunca viu e ainda por cima é rápida a julgar quem luta de facto para que haja um bar no Bairro Alto e outro em Freixo-de-Espada-à-Cinta.
- Pronto, pronto. Vou pensar no assunto e talvez vá à marcha do próximo ano.
- Ai que bom…. Imagine que emoção, contar consigo no próximo ano…
- O que foi agora?
- Por que não começa por percorrer a lista de associações e ver o que pode fazer pela sua causa em alguma delas? Em vez de ficar confortavelmente sentada no sofá à espera da marcha do próximo ano e à espera que eu me esqueça desta conversa? É que, caso não saiba, a marcha do próximo ano prepara-se todos os dias com inúmeras iniciativas e projectos de uma série de grupos. Vai ficar sentada à espera que lha sirvam também de bandeja?
- Se se põe com muitas exigências, nem na marcha do próximo ano ponho os pés, veja lá…
- Óptimo! Não gostava nada que perdesse um bom pretexto para deixar de fazer uma coisa que nem sequer tem vontade de pôr em prática logo para começar. Vá passear a roupinha nova para as discotecas, que isso é muito mais in do que participar numa mudança que lhe diz respeito.
- A menina consegue ser mesmo desagradável quando quer…
- Desagradável? Não… É mais cansada de estar sempre a pôr em prática as minhas e as suas causas.

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