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Tangas Lésbicas

lésbicas de tanga na tanga - em busca do seu passo doble perfeito - desfiando as linhas que cosem as tangas - que nos devolvem envolvem - pingas que tingem a linha da tanga - todas as tangas são iguais - mas estas são as melhores - tangas lésbicas

Tangas Lésbicas

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Um sonho de Quinta!

Falando de tangas, não resisto em partilhar convosco o meu sonho da noite passada. Ok, ok, já sei que os sonhos não são tanga nenhuma, não senhor, e que há sonhos que podem ser tão sérios como o mais sério dos slips do mais sério pai de família. Seja como for, e tangas à parte, deixem-me lá contar-vos o que os meus neurónios andaram a magicar enquanto eu dormia inocentemente e depois têm toda a liberdade para arrumar este sonho na gaveta que quiserem!


Não me lembro muito bem onde começou o sonho e acabou a realidade. Sei que depois da volta diária pela blogaysfera nacional, exausta que estava – que já não tenho vinte anos e esta malvada da idade não deixa de pesar nos olhos – deixei a outra Tanga a tratar das tangas domésticas e estendi-me no sofá em frente à televisão. E, de repente, eis-me ali, de olhos esbugalhados e o televisor invadido de “Vévé’s” e “Zézé’s”, mais 75 pares de sapatos e não sei quantos óculos das mais variadas marcas, mas todas italianas, a combinar com as vedetas.


Ao fim de dois minutos a espreitar a “Quinta das Celebridades” dei por mim apesar de o Durão há muito se ter ido, o karma ficou por cá: Portugal continua de tanga! E de tanga bem justa, por sinal, fio dental apertado, a tender para o dourado, mas longe de ser Chanel! De tanga, só de tanga pode estar um país que fica assim, de olhos postos nas tangas que pseudo celebridades têm para nos mostrar.


E enquanto assim pensava, em frente a mim, José Castelo Branco, como quem desfila na mais ilustre das passarelles, apanhava as suas tangas da corda onde tinham estado a secar ao Sol, um Sol forte e radioso que, por segundos, ofuscou a câmara e me ofuscou a mim, de olhos pesados no sofá!


Pisquei os olhos para evitar a luz – ou é fotofobia ou hipocondria declarada, a verdade é que nunca resisto a luzes fortes, deve ser por isso que não sou da IURD nem de nenhuma daquelas seitas que dizem que viram a luz, pois eu não vejo luz nenhuma, que sempre que vem uma mais forte lá fecho os olhos bem depressa, para não me magoar… como desta vez!


Quando voltei a abrir os olhos, nem Castelo Branco, nem tangas, a televisão devolvia-me a minha própria imagem, eu mesma, ali na “Quinta das Celebridades”, a apanhar uma muito decente t’shirt lilás em que, por baixo do desenho de dois símbolos femininos interligados e cercados por uma árvore, se lia, a letras brancas, a palavra “Naturally”.


“Cata, despacha lá isso que o casamento está mesmo a começar e ainda tens de te pentear”.


Esta Tanga sempre foi muito exagerada! Como se o meu cabelo custasse alguma coisa a pentear! Já lá foi altura em que passava horas a tentar esticá-lo, na esperança de educar os caracóis. Depois lá percebi que se os caracóis queriam mesmo ser caracóis não havia razão nenhuma para que lhes impusesse qualquer outra natureza que não a sua, de verdadeiros caracóis. Se era assim que queria na vida porque é que não havia de fazer assim com os caracóis? Por isso, fosse lá o que fosse fazer, pentear-me não era o problema, em dois minutos estaria prontíssima para o casamento… Casamento? Mas que casamento?


Espreitei por entre as t-shirts ainda estendidas e olhei em volta. Não foram precisos dois segundos para perceber o que estava a acontecer. A Quinta era a mesma das Celebridades: o mesmo quintal, o mesmo duche, as mesmas vacas e o mesmo estábulo, mas, de repente, os “vévé’s” e os “zézé’s” tinham dado lugar a outros personagens, muito mais interessantes e, pelo menos entre nós, tão ou mais célebres que os outros!


No meio da Quinta estava montada uma tenda em forma de altar que eu podia jurar que foi emprestada pela Fernanda e pelo Pedro Miguel Ramos, tais eram as semelhanças! Em frente ao altar, dispostas geometricamente em forma de arco-íris, um conjunto de seis filas de cadeiras davam já assento a muitos dos convidados. Cada fila tinha cadeiras de uma única cor. À entrada de cada fila, notáveis da nossa praça faziam uma espécie de “honras da fila”, indicando aos amigos e conhecidos o lugar onde se sentarem enquanto lançavam olhares que eu não conseguia perceber se eram de mera indiferença se eram de qualquer outra coisa aos mestres-fila das cadeiras de outras cores.


Eram mais que muitas as pessoas que ali estavam. Vinham todas de dentro da casa, saindo de portas que pareciam multiplicar-se e em cuja existência nunca antes reparara. Umas vinham aos pares e outras sozinhas. Saíam todas de casa com um grande sorriso de determinação. Conseguia ouvir nas palavras que trocavam uma alegria e uma confiança contagiantes, como se algo de muito importante estivesse para acontecer. E avançavam em passo firme, até se cruzarem com alguém conhecido ou um mero sorriso simpático, atraente, interessante, e se esquecerem então do caminho que faziam até às cadeiras coloridas que os aguardavam. Uns ficavam-se ali mesmo, em pé, distraídos a conversar, outros voltavam para dentro de casa, com um brilho já diferente no olhar.


Estava distraída a ver este rodopio quando alguém me abraçou por trás. Conhecia aquele abraço há mais de vinte anos, o tempo suficiente para se tornar inconfundível! “Afinal o que é que se passa aqui?” “Então que crise de amnésia é essa? Até parece que caíste aqui vinda de um sonho! Vamos aproveitar que estamos aqui na Quinta mais famosa de Portugal para dar a conhecer ao País por que lutam os homossexuais. Esta é a maior iniciativa LGBT* de que alguma vez houve memória! Conseguimos que as mais mediáticas figuras do Associativismo LGBT fossem convidadas para o programa e tanto lutamos que aqui estamos nós a celebrar os primeiros casamentos homossexuais legalmente reconhecidos em Portugal”.


Olhei bem fundo nos olhos da minha cara metade, não sabia o que pensar. Realmente estava ali mesmo muita gente, mas havia coisas que me pareciam estranhas! Era estranho, por exemplo, que houvesse tanta gente em pé se algumas filas ainda tinham cadeiras vazias. Decidi dar uma de mestre de cerimónias e convidar as pessoas a sentarem-se. “Não posso sentar-me, essa cadeira não é da cor da minha Associação”, respondiam-me as pessoas como se fosse uma resposta óbvia – conseguia ler-lhes o “dah”no olhar, que só não diziam porque o momento era de Estado.


Foi assim, com pessoas a entrar e a sair da casa da Quinta, com cadeiras vagas e muitas pessoas em pé, que a marcha nupcial anunciou os noivos.


Também eles saíram da casa, de braço dado e sorriso de orelha a orelha, dois casais lésbicos e dois casais gays. Foram desfilando em passo lento, pelo jardim, até ao altar. As conversas suspenderam-se, a azáfama parou e até as galinhas, lá atrás, no galinheiro, se ativeram por momentos. Senti uma lágrima rolar no meu ombro. Ao meu lado, a sentimental da minha mulher, como sempre, não tinha conseguido conter as lágrimas. Era o sonho de uma vida, aquilo a que assistíamos.


A música parou no exacto momento em que os noivos chegaram ao altar, que é como quem diz à mesa onde assinariam o livro dos registos. Os noivos sentaram-se em frente à mesa e esperaram… esperaram… esperaram… o ambiente de festivo passou a apreensivo, os olhares comovidos semicerraram-se e todos se entreolhavam à espera de não sabiam bem o quê!


De repente, um noivo mais irritadiço lá ousou cortar o silêncio, levantar-se, virar-se para os convidados e perguntar: “Onde está o Conservador?”… “Conservador? Que Conservador?” “Mas eu pensei que o conservadorismo já tinha acabado!”


A confusão estava instalada. Os convidados, principalmente os mais célebres, perderam todo o verniz! “Mas não era a vossa Associação que tratava das coisas com o Conservador!”, “Ninguém nos disse nada!”, “Afinal querem conservar o quê? Eu sou contra, devemos ser radicais e mudar isto tudo!” “Mas afinal de contas há Conservador ou não?”


Estava bom de ver: com a ânsia do casamento todos tinham corrido a organizar o evento, chamar os amigos e associados, mas ninguém se lembrara de marcar com o Conservador a cerimónia de casamento, distraídos que estavam em promover a imagem da sua própria Associação!


“Querem ver que até se esqueceram de fazer aprovar a lei!”


“Lei?!”… Foi o caos geral. Alguém mais sensato lá se lembrou de gritar: “Isto é uma vergonha! O País todo a assistir! Desliguem já as câmaras!”. E todos correram em direcção às câmaras, que rapidamente se percebeu que não existiam. Tudo era uma ilusão: a “Quinta” não era a das celebridades e nem sequer tinha uma janela para o Mundo! A Quinta estava fechada sobre si mesma, sem ninguém a assistir ao que por lá se passava! A visibilidade era um bluff!


Foi então que alguém compreendeu que já não havia nada a fazer: “Estou farta disto, vou-me embora.” e avançou convicta para o portão de saída. Mal lá chegou tentou abri-lo, mas sem sucesso: estava fechado aquele portão, talvez enferrujado, por nunca ter sido aberto.


A toda a volta da Quinta tentava-se, em vão, abrir outros portões. Eram precisas muitas pessoas para levantar aqueles ferrolhos, no entanto, em vez de se concentrarem num único portão, as pessoas dividiam-se pelos vários portões, seguindo o seu mentor, o seu guia, a sua luz… ai desculpem, aquele que envergava a sua cor.


E eu, ali estava, parada no meio da mais célebre de todas as quintas, sem saber para onde correr, sem saber a quem seguir – só queria sair dali. Qualquer porta me servia, independentemente da cor! Mas nunca encontrava o número suficiente de pessoas para me ajudarem a abri-la. Todas as pessoas que estavam naquela Quinta seriam mais do que suficientes para abrir facilmente qualquer porta, mas assim separadas era impossível. Angustiada, preparava-me para começar a gritar: “Juntem-se! Juntem-se! Bolas, juntem-se!”, quando de repente um beijo no pescoço me acalmou… me acordou.


“Adormeceste outra vez no sofá, preguiçosa!” Sorri e enquanto retribuía o beijo balbuciei com voz de sono: “Acabei de ter um sonho completamente ridículo!”…


Mas hoje, depois das minhas voltas pela Internet, e de um ou dois dedos de conversa, não sei o sonho terá sido tão ridículo assim… é que ainda agora, olhando para as cores do arco-íris nacional, me apetece gritar: “Juntem-se, bolas, juntem-se!”


 


* Não percam em breve que tanga é essa do “LGBT”

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