- Está ocupada?
- Estou, mas tenho sempre um bocadinho para si.
- Ui, quando diz isso até as pestanas se me arrepiam...
- Deve ser por isso que estou a ver pele de galinha nos seus olhos...
- O quê?!?...
- Pronto, estava a brincar consigo. Não precisa de ir a correr para o espelho.
- A menina nem sabe o susto que me pregou.
- Sei sim...
- Pronto, pronto, eu perdoo-lhe. Quer saber o que eu tinha para lhe dizer?
- Claro. O que era?
- Li uma coisa muito interessante. Aqui.
- O homem da relação? Que giro. Olha que forma tão simples e esclarecedora de desmontar um mito masculino a propósito das lésbicas.
- Foi o que achei. As mulheres também incorrem na mesma parvoíce, mas eles é que o inventaram, não vá o falo cair em desuso por falta de necessidade.
- Muito bem apanhado, sim senhora.
- Merece uma distinção. E já estou a pensar na Tanga Particularmente Lésbica.
- Não podia estar mais de acordo. Mas, já agora, houve uma outra intervenção que adorei. Veja aqui.
- Por que não? Adorei. Sim, merece a Tanga de Cortar a Respiração.
- Sem dúvida.
- Já agora, que vem aí o Dia das Bruxas, vamos aproveitar para anunciar as Tanga das Bruxas. Que acha?
- Olhe que rica ideia. Vai pedir às meninas que publiquem de propósito para o Dia das Bruxas?
- Vou. E depois cada uma delas tem de votar numa. Quem receber mais votos das suas pares ganha a Tanga das Bruxas.
- Parece-me muito bem. Venha de lá essa inspiração.
(O post enviado vai ter direito a prémio enviado pelo correio para a autora ou autoras do blogue vencedor)
- Hoje acordei com saudades suas...
- A sério?
- Muito a sério.
- É por isso que ainda não tenho aqui o meu tabuleiro do café com torradas, biscoitos e sumo?
- Não...
- Não? Mas não vejo aqui nada...
- Isso é porque o pequeno-almoço hoje é diferente.
- Sim? Como?
- É surpresa.
- Hum... Gosto de surpresas. Estou à espera...
- Deixe-me pôr-lhe isto primeiro.
- Uma venda? Não sei se acho boa ideia...
- Tem de confiar em mim. Sim ou não?
- Bem... Sim!
- Óptimo. Agora vou ajudá-la, está bem? Não quero que vá contra os móveis. Apoie-se em mim.
- Para onde me leva?
- Não seja impaciente. Disse-me que confiava em mim.
- Pois foi.
- Pronto, já cá estamos.
- Posso tirar a venda?
- Não, não. Hoje está a ter uma experiência sensorial sem usar os olhos. Com eles vendados vai ter de sentir ainda mais tudo o que se passa à sua volta. Quer continuar?
- Claro, amor. Mas... o que me está a fazer?
- Estou a despi-la, querida. Não é novidade para si, mas hoje está a ser diferente, não é?
- Hum... Muito agradável. Pode continuar...
- Agora descontraia-se.
- Estou muito descontraída.
- Óptimo.
- O que é isso?
- Óleo perfumado. Gosta?
- Sabe bem, assim espalhado pelas suas mãos... Já lhe disse que tem umas mãos óptimas?
- Sim, amor. São só para seu uso exclusivo.
- É sempre bom ouvir isso, querida. Continue que estou a adorar...
- Não se preocupe. Temos o dia todo e eu ainda agora comecei.
- Ainda está com saudades minhas?
- Isso é um estado que não me passa, amor.
- Tenho reparado nisso.
- Só precisamos de nos lembrar todos os dias disso, para não nos distrairmos e não perdemos a noção do quanto gostamos.
- Concordo, amor. A menina nunca mo deixa esquecer.
- Dou o meu melhor e sinto que faz o mesmo.
- Mima-me demais... E agora, que me vai fazer?
- Chegue-se para aqui. Vou ajudá-la a levantar a perna, assim. Baixe agora.
- Hum... Banho quente... Hum...
- Ajudo-a a sentar-se. Não quero que escorregue.
- Está bom, amor. Ai que delícia... Não se junta a mim?
- Claro amor. É já. Só falta uma coisinha... Volto já e não quero que tire a venda.
- Prometido é devido, não se preocupe.
- Já está. Foi rápido, como vê.
- Pois foi. Entre, ande.
- Pronto. Dê-me a sua mão.
- O que é isto? Café? Que cheirinho...
- Tem o tabuleiro à sua frente, por isso, tenha cuidado. Vou-lhe passando tudo, não se preocupe.
- Que maravilha... Pequeno-almoço na água, servido por si. O que é isto?
- Um scone com manteiga. Que tal lhe parece?
- Delicioso.
- Experimente misturar com isto.
- Morango? Hum... Que delícia, amor.
- Ainda bem que gosta.
- Melhor, só a menina, é um facto.
- Mima-me com esses elogios todos.
- E a menina com estas surpresas maravilhosas.
- Quer um bocadinho de sumo?
- Quero tudo a que tenho direito. E ainda mais uma coisinha.
- Diga. Hoje é o dia das suas vontades.
- Ai é? Posso pedir, então?
- Pode. Estou por sua conta.
- Óptimo. Quer ser a minha sobremesa?
- Ai...
- A menina lembra-se da R.?
- A que está lá mais para norte?
- Essa mesma. Sabe que ela foi a Portugal de férias?
- A menina disse-me, sim.
- Não imagina o que lhe aconteceu...
- Pois não. Mas a menina vai contar-mo, não vai?
- Vou, vou. Ou não quer ouvir?
- Claro que quero. Quando me propus viver consigo devo ter assinado um contrato qualquer com umas letrinhas pequeninas a dizer que tinha de ouvir as suas histórias todas, ou arriscar-me a uma quebra contratual grave com contornos de crise conjugal de nível 8.5 na escala de um Ritcher qualquer das relações...
- Ai, deixe-se de brincadeiras. Quer ouvir a historia da R. ou não?
- Claro que quero. Diga lá.
- Lembra-se da namorada espanhola que ela teve?
- A que morreu?
- Essa mesmo. Meteu-se-lhe na cabeça ir até à aldeia dela, perto de San Sebastian, para ir visitar a campa dela ao cemitério.
- É um pouco tétrico para o meu gosto, mas há pessoas que encontram nisso algum sentido. E depois?
- Depois, foi mesmo e não encontrou campa nenhuma com o nome da outra.
- Enganou-se no cemitério? Na aldeia?
- Não. Andou por lá a indagar e ia tendo um baque surdo com o que descobriu.
- E o que foi?
- Uma das vizinhas da família da rapariga acabou por lhe dizer que ela não tinha morrido e que estava internada num hospital próximo.
- A sério?!?
- Seríssimo. Ia-lhe dando uma coisinha má.
- Calculo... E que fez ela?
- Meteu-se no carro e foi ao tal hospital. Deu a volta à enfermeira que lá estava e conseguiu que a deixasse fazer-lhe uma visita.
- E era mesmo ela? A que morreu?...
- Era. Tetraplégica, ou lá o que é. Diz que a reconheceu pelos olhos, porque está completamente diferente, depois destes anos todos. E que percebeu que a outra também a reconheceu.
- Que história...
- É verdade. Esteve a falar com ela. A outra não lhe respondia, mas diz que lhe vieram as lágrimas aos olhos e tudo. Pediu-lhe desculpa, disse-que que não sabia, que lhe tinham dito que ela tinha morrido.
- Parece uma história de telenovela...
- Pois é. Mas é verdade. Disse-lhe que continuava a gostar muito dela e que tudo teria sido muito diferente se soubesse que ela estava viva. Que continuava a ser o grande amor da vida dela, mas que agora tinha refeito a vida e que provavelmente não voltaria lá. Que se lembraria sempre dela e essas coisas.
- Que coisa... Que história. A família da outra enganou-a durante estes anos todos...
- Pois foi. Foi a forma mais simples de se livrarem da 'namorada' incómoda. E ela nunca pôs isso em questão, depois do acidente de carro que tiveram. É terrível, não é?
- É realmente terrível o que as famílias continuam a poder fazer nestes casos. Mesmo que, na altura, ela se tivesse apercebido de que a namorada estava viva, o mais provável é que a tivessem impedido também de estar com ela.
- Teria sido muito duro também, mas pelo menos ela saberia a verdade e poderia ter escolhido lutar ou não pela relação delas.
- A verdade é sempre melhor, mesmo quando não conseguimos o que queremos. Pelo menos, temos hipóteses mais justas.
- São histórias destas que me apetece contar quando as pessoas dizem que não vão às paradas e às marchas do orgulho porque não estão para palhaçadas. A verdade é que são essas ditas 'palhaçadas' que nos permitem as poucas vitórias legais que já alcançámos.
- É verdade e nunca é demais lembrar isso. Agora chegue-se para cá, que essa história pôs-me o cabelo em pé.
- A mim também.
(Esta história é real e não apenas uma das muitas ficções narradas neste blogue. Passou-se na última semana, entre Lisboa e San Sebastian.)
- A menina acha que isto está empanado?
- Empanado? Tipo carrinha hippy que não arranca?
- Está a chamar hippy, velho e ampanado ao Tangas?
- A menina é que comecou...
- Não desconverse, caramba. Estou aqui a tentar chegar a uma conclusão.
- E que conclusão é essa, posso saber? É que a menina funciona em piloto automático, assumindo que o que diz é óbvio para toda a gente.
- Pronto, eu reformulo: acha que o Tangas está empanado?
- Não, não acho. Acho que a Sammy está a picá-la, para ver se a menina deixa de estar para aí entretida a ver as vistas e se nos conta das suas de novo.
- As vistas... Ai, sabe lá... Isto aqui na terra das bifas ainda é mais fechado que na terrinha...
- Como assim?
- Junte homofobia à timidez doentia das bifas e vai ver o resultado da equação.
- A sério? Não fazia ideia...
- É verdade. A menina não imagina a trabalheira que dá ser out aqui também.
- É para aprendermos a não assumir permanentemente que a galinha da vizinha é melhor do que a nossa.
- Isso é bem verdade.
- Então podemos contar com crónicas suas para breve?
- Claro, claro. Entretanto, não me quer fazer a menina um favorzinho?
- Diga.
- Chegue-se aqui para o meu lado, que começa a fazer um frio dos diabos nesta terra...
- Hum...
- A menina já se deu ao trabalho de ler isto?
- O quê?
- Estas estatísticas sobre as primas. São assustadoras...
- Deixe-me ver.
- Tome lá. Até estou arrepiada.
- "Cerca de 90 por cento das lésbicas e gays crescem em lares hetero." É isto?
- Exactamente. Não é espantoso?
- "Com consequências devastadoras sobre o seu desenvolvimento psicológico e futura capacidade para acreditarem em si mesmos enquanto indivíduos de pleno direito, afectando globalmente a sua forma de interagir com os outros e provocando mesmo uma forma de stress pós-traumático cujas consequências ainda estão por avaliar."
- Veja lá... Inacreditável, não é?
- Lá isso é. "Estima-se que pelo menos trinta por cento dos pais destas lésbicas e dos gays são, eles próprios, homossexuais no armário, contribuindo muitos deles, por esse facto, de forma negativa para a educação das crianças. A sua forma passiva e reprimida de viver a sua sexualidade traduz-se, amiúde, em conceitos negativos sobre a sua condição que afectam o pleno desenvolvimento dos seus filhos e filhas."
- E veja aqui: "A maioria dos pais hetero reprime ou contraria de alguma forma as tendências destas crianças, sugerindo desde uma tenra idade a sua inadequação perante a sociedade, com gravíssimas consequências para a sua auto-estima. Cerca de 80 por cento submete-os mesmo a tratamentos psicológicos e/ou psiquiátricos para os obrigar a mudar a sua forma de estar. Em alguns casos recorrem mesmo a internamentos forçados e, quando essa medida se revela inútil, são comuns as agressões físicas, A expulsão do lar familiar é outra medida repressiva habitual durante a adolescência das lésbicas e dos gays."
- Incrível...
- "Apenas uma minoria destes pais hetero apoia a orientação sexual dos seus filhos. Mesmo assim, na maioria dos casos as crianças e adolescentes são confrontadas com uma reacção de dor, tristeza ou preocupação por parte dos progenitores, sintomas 'resignados' de que a sua condição é claramente uma desvantagem em relação aos outros."
- Que coisa! E olhe esta parte aqui: "A maioria das lésbicas e dos gays que passaram pela terapia 'correctiva' confessa ter sentido, pelo menos, terror, vergonha e culpa, durante as sessões de tratamento a que foram sujeitos. Na maioria dos casos, os profissionais de saúde limitavam-se a confirmar as noções negativas impostas pela família e a reafirmar todos os sentimentos de inadequação dos indivíduos, recorrendo por vezes a tácticas de autêntico terror para condicionar as crianças e adolescentes homossexuais."
- E com tanto cuidado que há hoje com as crianças e com a legislação para as proteger, não há mecanismos de controlo desses abusos cometidos por profissionais de saúde e famílias repressoras?
- Aparentemente, este tipo de abuso de poder não é uma prioridade para as autoridades: "O problema parece estar no facto de se considerar que estes casos afectam apenas uma minoria pouco expressiva da população. E uma vez que os graves efeitos destas péssimas práticas pedagógicas e psicológicas só se revelam em pleno muitos anos após a sua ocorrência, é fácil dissipar as causas entre muitos factores que entretanto se verificam na vida dos indivíduos. Muitas vezes, são os educadores dessas pessoas e os profissionais que os maltrataram a consubstanciar outras razões para as consequências dos seus abusos nas lésbicas e nos gays. Seria necessário implementar medidas oficiais de denúncia dessas práticas para que começassem a ser entendidas como crimes inaceitáveis contra o indivíduo."
- É isso mesmo! Não há nenhuma comissão das Nações Unidas para a protecção de jovens e menores homossexuais em risco?
- A menina é crente...
- Estou a falar a sério.
- Bem sei. Ouça esta parte, que também é interessante: "A maioria dos hetero criados por mães lésbicas e pais gay é, em contrapartida, educado com grande liberdade. A preocupação das mamãs e papás homossexuais com o que consideram injusto e discriminatório pode estar a formar uma nova geração de heteros conscientes e pouco dispostos a contemporizar com esta realidade."
- E não acha que eles, mesmo assim, serão uma minoria?
- Talvez não. Até porque hoje em dia, a norma já é outra. É rara a prima ou o primo que não tenha família ou amigos hetero. Agora até nós reparamos neles.
- É verdade. É apenas uma realidade ainda não assumida. Acha que também vai haver um armário hetero?
- Não me parece. Acho que já há é uma redoma hetero, em que eles guardam as chaves do armário. Leia esta parte: "A maioria dos estudos e estatísticas sobre lésbicas e gays refere apenas a percentagem de homossexuais que se assumem inteiramente. Não a maioria que, ainda condicionada pelos abusos hetero, continua a acreditar que é melhor mentir do que revelar a sua verdadeira orientação sexual."
- Mas é um gato escondido com o rabo de fora, não é?
- Claro. Porque depois não resistem a aparecer nos restaurantes, nas discotecas, nas festas e em todo o lado. A multidão dá-lhes força. Mas confessar, cara a cara com um investigador, para efeitos de estatística, continua a ser o "pecado" que vem desde a infância, com a gravação da voz do papá e da mamã muito pouco satisfeitos com as "brincadeiras" que a menina ou o menino tiveram.
- Ainda vão ser necessárias um par de gerações para erradicar o veneno.
- É verdade. E eu agora precisava que a menina me erradicasse aqui um veneninho que me está a roer por dentro...
- Está? Eu tenho ali dentro um remédio sensacional. Quer experimentar?
- Não pode ser aqui mesmo? É que já mal me aguento. Acho que estou a sucumbir ao tal veneno...
(a condutora designada a pedir indicações na berma da estrada para Mira)
- Para quem não queria ir a Orgulho nenhum, parece-me que a menina afinal sempre se divertiu em Mira, não foi?
- Por acaso foi. Só tenho pena que não façam discotecas e Orgulhos para não fumadores.
- Temos de fazer uma proposta para o ano que vem.
- Olhe que bela ideia: Orgulhos sem fumo. Quem quiser vá fumar para a varanda e depois entre. Será que nos ligam alguma?
- Não sei. Mas não é a menina que diz que se não abrirmos a boca ninguém nos ouve?
- Tem toda a razão. Vamos lá escrevinhar uma proposta e tentar que, para o ano, os Orgulhos sejam smoke free.
- E, já agora, por que não aproveitamos para organizar os Orgulhos Participados?
- Como assim?
- Este ano fomos aos Orgulhos do Porto e de Mira, não foi? Falhámos o de Lisboa, mas não se pode estar em todas...
- Com muita pena nossa, que já tínhamos compromissos para esse dia.
- Pois é. mas para o próximo ano, podemos propor a todos os organizadores os Orgulhos Participados. Ou seja, cada organização trata de se preparar para participar nos outros Orgulhos. Cada um escolhe um tema e organiza o seu grupo de forma a aparecer e distinguir-se na marcha.
- Como nós queremos fazer com o Elas a Norte?
- Justamente. O Elas a Norte vai juntar forças e fazer os possíveis por ir ao Orgulho de Lisboa, ao do Porto e ao de Mira. E tal como nós, que resolvemos ter esta iniciativa, outras pessoas poderiam começar a pensar no mesmo e, para o ano, juntar um grupo de amigos e de amigas e participar num ou em todos os Orgulhos, com um tema que lhes seja particularmente caro.
- Olha que ideia mais positiva a sua... Vamos já contactar toda a gente. Afinal, cada Orgulho é uma festa e podemos participar nela como acharmos mais agradável.
- É uma forma de mostrarmos a nossa forma de estar. Não há gente que leve amigos e políticos aos Orgulhos?
- Claro. Até podem escolher um padrinho famoso e organizar-se de acordo com isso. Ou pegar nos pais e nas famílias e formar o grupo de apoio ao Orgulho da Prima Maria, por exemplo.
- Há imensas hipóteses. Só dependem da criatividade de cada uma, ou de cada um. Mas lá que era giro haver bastante gente a fazer isso, era.
- Não precisa de dizer mais nada para me convencer. Vou já mandar uma mão cheia de e-mails para toda a gente.
- Mande, mande, que depois vai precisar de uma mão cheia de vontade para me ajudar a organizar o meu grupo.
- Que grupo? A menina e eu já somos grupo que chegue, não acha?
- Não se ponha já para aí com a ciumeira. Vá, fale lá com as vizinhas, se isso a faz sentir mais apoiada.
- Apoiadíssima. E qual vai ser o nosso tema?
- Isso são outros trezentos. E é coisa para se discutir em grupo, na próxima reunião do Elas a Norte.
- Ora bem...
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