Sábado, 15 de Março de 2008
com jeito vai...



(sigam a seta para a outra casa)

- Bom dia. Sabe dizer-me onde está a senhora empreiteira?
- Lá atrás, no canto da prisca.
- Prisca? Então eu pago para coleccionarem priscas no meu quintal?
- Olhe, isso não sei, que eu só venho aqui dar uma ajuda. Vá lá que já fala com ela.
- Pois vou. Senhora empreiteira?
- Hã?
- Bom dia. Vim ver como vão as obras.
- E já viu?
- Já sim. E olhe que não estou nada satisfeita. Que fazem estas beatas todas no meu quintal?
- A gente tem de fumar nalgum lado...
- E nunca ouviram falar de cinzeiros, de uma dessas latitas de tinta vazias para onde se atiram as beatas para não ficar isto tudo com ar de subúrbio da lixeira do Casal Ventoso?
- Hã?
- Mas que raio você fuma, afinal? Haxe?
- Às vezes, sim. Quer um bocadinho?
- Quero nada, que raio! Quero é ver as obras prontas, caramba.
- Se é para me falar com esses modos, vou ali e já venho.
- Vai coisa nenhuma. Diga-me mas é por que raio isto ainda está tudo de pantanas.
- Olhe, pergunte às suas amigas, que elas é que têm a culpa.
- Como assim?
- Então... É um corropio delas. Ó empreiteira isto, ó empreiteira aquilo. Uma mulher não chega para todas, não é? Claro que as suas obras vão andando como se pode.
- O quê? Está a dizer-me que vem para as obras no intervalo das visitas domiciliárias?
- A carne é fraca. Tem a certeza que não quer uma passa?
- Eu estou é passada consigo. Olhe, vá tomar um duche frio e apareça lá em casa para conversarmos com a cabeça clara.
- Ok. Duchinho tomado, sim senhora, que eu não gosto de fazer má figura. Gosta com perfume ou sem? É que algumas das suas amigas embirram um bocadinho com os cheiros...
- Era o que me faltava! Ó mulher, duche frio para ir de cabeça fresca, que eu corpo tenho que chegue lá em casa e o assunto é a empreitada, não a cama da empreiteira, ouviu?
- Hum... Eu já lá vou ter. E trato-lhe dessa má disposição.
- Irra!
música: sonho dos outros - mário laginha/bernardo sassetti

publicado por Tangas às 11:05
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
ó da casa



-Ó da casa! Átão, ainda não está ninguém aqui?
- Baixe o volume que aqui ninguém é surdo, mulher...
- Desculpe?
- Já ouvi. Não grite.
- Ai... Você deve ser a empreiteira...
- O que foi? Tenho alguma coisa suja?
- Não, nada. Pelo contrário...
- Então por que está a olhar para mim assim?
- Porque estou a pensar em fazer umas obras lá em casa.
- Mas o que se passa convosco, gente? Está tudo a cair aos pedaços?
- É uma forma de pôr a questão, sim.
- Bom, escreva aí o seu número, que eu ligo-lhe ainda esta semana.
- Aí, no braço? Ai... Isto está a correr melhor do que eu alguma vez imaginaria...
- Hã?
- Nada, nada. Desabafos, não se preocupe. Telefone-me sim?
- Claro, claro.
- Adeusinho.
- Adeus. E, olhe, a casa da outra senhora mudou para ali (aqui).
- Sim, obrigada. Vou passar agora mesmo. Não se esqueça de me ligar.
- Não se preocupe. Nem a si, nem às outras todas. Esta gente tá tola...


publicado por Tangas às 18:52
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
...


Sigam o sinal, por favor, que é de sentido obrigatório.
Esta morada está para obras e, enquanto a empreiteira não se despacha, assentámos arraiais aqui: Tangas Lésbicas (no Wordpress).

- Parece que está a fazer queixa da rapariga, que por sinal é tão simpática e ainda nos está a fazer o favor de nos escavacar as paredes por uma ninharia...
- Ninharia? Bem se vê que não é a menina que tem de negociar os euros com aquela corsária dos rolos de tinta e do reboque.
- Que disparate! Quem ouvir vai pensar que ela nos está levar couro e cabelo.
- E está mesmo. Ou julga que eu quero voltar para aqui só com uma demão de tinta?
- Olhe, a culpa é sua, que encheu isto de sofás e resolveu armar-se em artista. Agora arranje-se que não quero ouvir mais protestos, nem quero ver mais nenhum sofá na casa nova, ouviu?
- Olhe que a otomana vai comigo... Não me separo dela nem por um decreto.
- Ponha-se com coisas que eu digo-lhe para onde vai a dita.
- Não pode ser antes quem é que vai para a dita?...
- Ai... não se ponha com coisas e não me distraia que ainda há aí muito que carregar.
- Ainda não estamos na hora do almoço?
- Deixe-se de coisas e saia-me da frente que eu aqui já sufoco.
- Ok, ok... Posso marcar hora então para a próxima folga?
- A menina é tramada... Só pensa nisso, mesmo com as mãos cheias de caixotes.
- Que quer que faça? A culpada é a menina, que se anda por aqui a pavonear de jardineira e t-shirt sem mangas, como uma verdadeira operária.
- Não a sabia tão apreciadora do proletariado.
- É mais a sua versão da dita prole, se é que me faço entender.
- Faz, sim. Ande, despache-se. Não é a menina que quer aproveitar o intervalo do almoço?
- Ai, dê-me dez minutos para arrumar estes caixotinhos, sim?

publicado por Tangas às 01:09
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
humor lésbico
Anedota para visualizar:
'O que é isto?', pergunta a pikena, deitando a língua de fora.
'Ora... Uma lésbica com tesão', responde-lhe a prima.

* * *

Uma jovem lésbica universitária decide sair do armário e o seu plano é contar, em primeiro lugar, à mãe, durante uma visita a casa.
Quando a mãe está na cozinha, de volta do fogão, mexendo num dos tachos com uma colher de pau, a jovem, muito nervosa, explica-lhe que chegou à conclusão que é gay.
'Queres dizer, lésbica?', pergunta-lhe a mãe sem olhar para ela.
'Bem... Sim.'
Ainda sem olhar para ela, a mãe pergunta: 'Isso quer dizer que lambes passarinhas de mulheres?'
Apanhada de surpresa, a jovem lá gagueja que sim. Ao que a mãe, virando-se finalmente para ela e de colher em riste na mão, explode ameaçadoramente:
'Nunca mais te atrevas a queixar-te dos meus cozinhados, ouviste?'

* * *

Como sabes que uma prima é camionista?
Quando ela dá um pontapé no vibrador para o pôr a funcionar e enrola os seus próprios tampões...




- Agora a sério, a menina acha que vão graça a essas anedotas?
- Isso não sei. Mas acho que vale a pena partilhar aqui um bocadinho do humor das primas.
- Acho-as um bocadinho parvas.
- É preciso não radicalizar. O humor é mesmo assim, cheio de parvoíces. Por que acha que nos rimos?
- Sei lá. Angústia? Fuga à realidade?
- Também, também. Vamos lá ver o que dizem as primas de cá.









Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
cronicas do maravilhoso sexo lésbico (III)
- Então? Já se convenceu?
- De quê?
- Que ninguém vai abrir a boca sobre a masturbação?
- Não vão, pois não?
- É uma palavra muito feia.
- Será que já a escolheram de propósito assim feia para ninguém falar nela?
- É possível. Afinal, parece que vem do latim manus (mão) e stupratio (estrupar, macular). Não podia ser pior.
- E se não for com a mão? Já não suja, pois não?
- Hum... O que está a sugerir?
- Que se não for com a mão e não sujar, pode não ser masturbação...
- Acho que é melhor experimentar, antes de afirmarmos com toda a certeza.
- Também acho. Não quero ser, de forma alguma, incorrecta.
- Não, isso não. Nem pensar...
- Já não estou a pensar...


publicado por Tangas às 10:19
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
crónicas do maravilhoso sexo lésbico (II)
- Então, isso sai ou não sai?
- O quê?
- Essa crónica.
- A menina não me stresse...
- Eu?!? Acho que é mais esse tema absurdo que a menina escolheu para debitar no blogue.
- Absurdo? Por que lhe chama absurdo?
- Porque o sexo lésbico não me parece assim tão diferente do resto do sexo e acho absurdo que a menina fique para aí às voltas a perder tempo com o tema.
- Em primeiro lugar eu não acho que o sexo lésbico seja tão idêntico ao resto do sexo como a menina diz. Depois, não acho nada de absurdo em tentar pensar no que hei-de atacar primeiro.
- Atacar? Credo... Mas o que é que a menina quer atacar exactamente? Até o termo arrepia...
- Acho que o que arrepia é o sexo na generalidade.  De bom ou de mau, mas arrepia sempre.
- Bem, nisso estamos de acordo. Mas diga-me lá qual é o seu problema. Talvez eu possa contribuir com alguma coisa útil.
- Ora bem: pensei em começar com o delicado mas imprescindível tema da masturbação.
- Ai meu deus...
- Vê? Até a menina se arrepia. E não é por bem.
- Mas isso sou eu. Há-de haver quem se arrepie de outra forma.
- Claro que há. Mas pus-me a pensar: quantas das minhas amigas me falaram alguma vez de masturbação? Não em termos gerais, assim como se estivesse a debater o tema numa tertúlia, percebe? Tipo: olha, eu sempre me masturbei e ainda hoje não passo sem isso. Ou: detesto masturbar-me, nunca gostei, nem gosto que me falem nisso.
- Quantas?
- Duas ou três no máximo. Nem as minhas namoradas gostam de falar nisso.
- Olhe, a propósito, não conte comigo.
- Vê? E piora se eu me puser para aqui a conjecturar sobre quantos pais terão falado de facto na masturbação aos filhos e filhas.
- Ai que a menina hoje está de um exagero...
- Não estou nada. Está a ver como é difícil tocar neste assunto?
- Ainda se a menina falasse em tocar noutras coisas...
- Sim? Como o quê?
- Estou a sugerir veladamente que talvez haja outras formas de ocupar o seu tempo...
- Pronto... Agora não quer que eu escreva? É isso?
- Não não é. A menina hoje está um pedacinho lenta, não está?
- Explique-se, se não se importa.
- Está bem, eu explico. Tem exactamente dois minutos para fechar essa máquina e se pôr a andar para o quarto à minha frente. Fui suficientemente clara?
- Mais do que suficiente. Já podia ter dito...
 

publicado por Tangas às 13:33
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
crónicas do maravilhoso sexo lésbico
- Sempre vai falar de sexo lésbico?
- Claro que vou.
- Não acha um bocadinho ousado da sua parte?
- Porquê?
- A menina sabe... Depois da noite passada...
- Ah, isso? Foi uma má disposição passageira. Não me diga que vai ficar a remoer isso para o resto da vida...
- Não, não, longe de mim...
- Hum... Olhe que parece.
- Não parece nada. Lá está a menina a exagerar.
- Não fui eu que trouxe isso à baila hoje.
- Só falei nisso porque a menina decidiu que vai escrever sobre sexo lésbico.
- O que tem uma coisa que ver com a outra?
- Sei lá. Lembrei-me.
- Pois, por essas e outras é que o sexo às vezes vai para o espaço.
- Quem me dera...
- Ai, pronto, está a ver?
- Eu não disse nada de especial. Só que...
- Só que o quê?
- Só que em vez de escrever a menina devia praticar, para falar com perfeito conhecimento de causa.
- Isso é outra vez por causa da noite passada?
- Não. É porque a menina não pára de falar na noite passada.
- Eu?!?
- Sim.
- Olhe...
- Estou a olhar...
- Eu...
- Sim...?
- Ai... Assim não consigo escrever nada...
- Hum... Não?....
- Não...
- Sim.
- Sim, pronto...

publicado por Tangas às 13:34
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
coisas de bonecas
- Diga-me lá uma coisa: a menina também é daquelas que nunca gostou de brincar com bonecas quando era mais nova?
- Eu?! Pelo contrário... Adorava tudo o que era boneca. Como é que a menina acha que eu arranjava pretextos para brincar com as minhas amiguinhas?
- Hum... Ora aí está um caso de agudíssima consciência lésbica desde os mais tenros anos.
- E a menina? Também brincava?
- Não. Eu era mais comodista. Emprestava as minhas bonecas às minhas amiguinhas e fazia um tremendo sucesso. Era muito popular.
- Calculo...
- Elas escolhiam-me sempre para fazer de papá. Não sei como é que as crianças se arranjam para saber sempre quem é o quê, sem que ninguém lhes diga absolutamente nada.
- Creio que sabemos tudo antes de começar a ser obrigadas a esquecer determinadas coisas por força das convenções.
- Hum... Pois é.
- Uma vez uma das minhas amigas achou que as nossas bonecas deviam fazer a sesta. Eu achei uma óptima ideia, até ela pôr a boneca dela por cima da minha.
- Então?!?
- Deu-me um ataque de pudor e fugi.
- Oh...
- Nunca mais brinquei com ela.
- A sério?
- A sério. Ainda me levou algum tempo a sentir-me confortável com a memória desse episódio.
- Já estava contaminada pelas convenções e não fazia a mais pequena ideia.
- Qualquer coisa desse género. Sabe que a vi muitos anos depois?
- E?
- Foi ela que me reconheceu e veio ter comigo. Tive de fazer um esforço para não fugir dela outra vez.
- Que giro... Um amor de infância por resolver.
- Não tem nada de giro. Ainda por cima ela tornou-se numa mulher interessantíssima.
- Mau... Isso já não tem nada que ver com bonecas.
- Não seja tola. Aposto que ela nem se lembra dessa história.
- Pelo sim, pelo não, veja lá se fecha essa gaveta antes que me dê um ataque de ciúmes.
- Ciúmes? A menina? Nunca vi coisa mais despreocupada do que a menina...
- Não se fie. Ninguém tem ciúmes até ter razão para ter.
- Concordo. Mas por via das dúvidas, deixe-me fazer-lhe uma perguntinha.
- Diga...
- Vamos pôr a nossas bonequinhas a fazer a sesta juntas?

publicado por Tangas às 12:24
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
tangas de outros blogues

- Está ocupada?

- Estou, mas tenho sempre um bocadinho para si.

- Ui, quando diz isso até as pestanas se me arrepiam...

- Deve ser por isso que estou a ver pele de galinha nos seus olhos...

- O quê?!?...

- Pronto, estava a brincar consigo. Não precisa de ir a correr para o espelho.

- A menina nem sabe o susto que me pregou.

- Sei sim...

- Pronto, pronto, eu perdoo-lhe. Quer saber o que eu tinha para lhe dizer?

- Claro. O que era?

- Li uma coisa muito interessante. Aqui.

- O homem da relação? Que giro. Olha que forma tão simples e esclarecedora de desmontar um mito masculino a propósito das lésbicas.

- Foi o que achei. As mulheres também incorrem na mesma parvoíce, mas eles é que o inventaram, não vá o falo cair em desuso por falta de necessidade.

- Muito bem apanhado, sim senhora.

- Merece uma distinção. E já estou a pensar na Tanga Particularmente Lésbica.

- Não podia estar mais de acordo. Mas, já agora, houve uma outra intervenção que adorei. Veja aqui.

- Por que não? Adorei. Sim, merece a Tanga de Cortar a Respiração

- Sem dúvida.

- Já agora, que vem aí o Dia das Bruxas, vamos aproveitar para anunciar as Tanga das Bruxas. Que acha?

- Olhe que rica ideia. Vai pedir às meninas que publiquem de propósito para o Dia das Bruxas?

- Vou. E depois cada uma delas tem de votar numa. Quem receber mais votos das suas pares ganha a Tanga das Bruxas.

- Parece-me muito bem. Venha de lá essa inspiração.

 

 

(O post enviado vai ter direito a prémio enviado pelo correio para a autora ou autoras do blogue vencedor)

 

 

 



publicado por Tangas às 10:04
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
de tanguinha...

- Hoje acordei com saudades suas...

-  A sério?

- Muito a sério.

- É por isso que ainda não tenho aqui o meu tabuleiro do café com torradas, biscoitos e sumo?

- Não...

- Não? Mas não vejo aqui nada...

- Isso é porque o pequeno-almoço hoje é diferente.

- Sim? Como?

- É surpresa.

- Hum... Gosto de surpresas. Estou à espera...

- Deixe-me pôr-lhe isto primeiro.

- Uma venda? Não sei se acho boa ideia...

- Tem de confiar em mim. Sim ou não?

- Bem... Sim!

- Óptimo. Agora vou ajudá-la, está bem? Não quero que vá contra os móveis. Apoie-se em mim.

- Para onde me leva?

- Não seja impaciente. Disse-me que confiava em mim.

- Pois foi.

- Pronto, já cá estamos.

- Posso tirar a venda?

- Não, não. Hoje está a ter uma experiência sensorial sem usar os olhos. Com eles vendados vai ter de sentir ainda mais tudo o que se passa à sua volta. Quer continuar?

- Claro, amor. Mas... o que me está a fazer?

- Estou a despi-la, querida. Não é novidade para si, mas hoje está a ser diferente, não é?

- Hum... Muito agradável. Pode continuar...

- Agora descontraia-se.

- Estou muito descontraída.

- Óptimo.

- O que é isso?

- Óleo perfumado. Gosta?

- Sabe bem, assim espalhado pelas suas mãos... Já lhe disse que tem umas mãos óptimas?

- Sim, amor. São só para seu uso exclusivo.

- É sempre bom ouvir isso, querida. Continue que estou a adorar...

- Não se preocupe. Temos o dia todo e eu ainda agora comecei.

- Ainda está com saudades minhas?

- Isso é um estado que não me passa, amor.

- Tenho reparado nisso.

- Só precisamos de nos lembrar todos os dias disso, para não nos distrairmos e não perdemos a noção do quanto gostamos.

- Concordo, amor. A menina nunca mo deixa esquecer.

- Dou o meu melhor e sinto que faz o mesmo.

- Mima-me demais... E agora, que me vai fazer?

- Chegue-se para aqui. Vou ajudá-la a levantar a perna, assim. Baixe agora.

- Hum... Banho quente... Hum...

- Ajudo-a a sentar-se. Não quero que escorregue.

- Está bom, amor. Ai que delícia... Não se junta a mim?

- Claro amor. É já. Só falta uma coisinha... Volto já e não quero que tire a venda.

- Prometido é devido, não se preocupe.

- Já está. Foi rápido, como vê.

- Pois foi. Entre, ande.

- Pronto. Dê-me a sua mão.

- O que é isto? Café? Que cheirinho...

- Tem o tabuleiro à sua frente, por isso, tenha cuidado. Vou-lhe passando tudo, não se preocupe.

- Que maravilha... Pequeno-almoço na água, servido por si. O que é isto?

- Um scone com manteiga. Que tal lhe parece?

- Delicioso.

- Experimente misturar com isto.

- Morango? Hum... Que delícia, amor.

- Ainda bem que gosta.

- Melhor, só a menina, é um facto.

- Mima-me com esses elogios todos.

- E a menina com estas surpresas maravilhosas.

- Quer um bocadinho de sumo?

- Quero tudo a que tenho direito. E ainda mais uma coisinha.

- Diga. Hoje é o dia das suas vontades.

- Ai é? Posso pedir, então?

- Pode. Estou por sua conta.

- Óptimo. Quer ser a minha sobremesa?

- Ai...

 




Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007
as verdadeiras tangas

- A menina lembra-se da R.?

- A que está lá mais para norte?

- Essa mesma. Sabe que ela foi a Portugal de férias?

- A menina disse-me, sim.

- Não imagina o que lhe aconteceu...

- Pois não. Mas a menina vai contar-mo, não vai?

- Vou, vou. Ou não quer ouvir?

- Claro que quero. Quando me propus viver consigo devo ter assinado um contrato qualquer com umas letrinhas pequeninas a dizer que tinha de ouvir as suas histórias todas, ou arriscar-me a uma quebra contratual grave com contornos de crise conjugal de nível 8.5 na escala de um Ritcher qualquer das relações...

- Ai, deixe-se de brincadeiras. Quer ouvir a historia da R. ou não?

- Claro que quero. Diga lá.

- Lembra-se da namorada espanhola que ela teve?

- A que morreu?

- Essa mesmo. Meteu-se-lhe na cabeça ir até à aldeia dela, perto de San Sebastian, para ir visitar a campa dela ao cemitério.

- É um pouco tétrico para o meu gosto, mas há pessoas que encontram nisso algum sentido. E depois?

- Depois, foi mesmo e não encontrou campa nenhuma com o nome da outra.

- Enganou-se no cemitério? Na aldeia?

- Não. Andou por lá a indagar e ia tendo um baque surdo com o que descobriu.

- E o que foi?

- Uma das vizinhas da família da rapariga acabou por lhe dizer que ela não tinha morrido e que estava internada num hospital próximo.

- A sério?!?

- Seríssimo. Ia-lhe dando uma coisinha má.

- Calculo... E que fez ela?

- Meteu-se no carro e foi ao tal hospital. Deu a volta à enfermeira que lá estava e conseguiu que a deixasse fazer-lhe uma visita.

- E era mesmo ela? A que morreu?...

- Era. Tetraplégica, ou lá o que é. Diz que a reconheceu pelos olhos, porque está completamente diferente, depois destes anos todos. E que percebeu que a outra também a reconheceu.

- Que história...

- É verdade. Esteve a falar com ela. A outra não lhe respondia, mas diz que lhe vieram as lágrimas aos olhos e tudo. Pediu-lhe desculpa, disse-que que não sabia, que lhe tinham dito que ela tinha morrido.

- Parece uma história de telenovela...

- Pois é. Mas é verdade. Disse-lhe que continuava a gostar muito dela e que tudo teria sido muito diferente se soubesse que ela estava viva. Que continuava a ser o grande amor da vida dela, mas que agora tinha refeito a vida e que provavelmente não voltaria lá. Que se lembraria sempre dela e essas coisas.

- Que coisa... Que história. A família da outra enganou-a durante estes anos todos...

- Pois foi. Foi a forma mais simples de se livrarem da 'namorada' incómoda. E ela nunca pôs isso em questão, depois do acidente de carro que tiveram. É terrível, não é?

- É realmente terrível o que as famílias continuam a poder fazer nestes casos. Mesmo que, na altura, ela se tivesse apercebido de que a namorada estava viva, o mais provável é que a tivessem impedido também de estar com ela.

- Teria sido muito duro também, mas pelo menos ela saberia a verdade e poderia ter escolhido lutar ou não pela relação delas.

- A verdade é sempre melhor, mesmo quando não conseguimos o que queremos. Pelo menos, temos hipóteses mais justas.

- São histórias destas que me apetece contar quando as pessoas dizem que não vão às paradas e às marchas do orgulho porque não estão para palhaçadas. A verdade é que são essas ditas 'palhaçadas' que nos permitem as poucas vitórias legais que já alcançámos.

- É verdade e nunca é demais lembrar isso. Agora chegue-se para cá, que essa história pôs-me o cabelo em pé.

- A mim também.

 

(Esta história é real e não apenas uma das muitas ficções narradas neste blogue. Passou-se na última semana, entre Lisboa e San Sebastian.)

 



publicado por Tangas às 14:29
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
empanadas?

- A menina acha que isto está empanado?

- Empanado? Tipo carrinha hippy que não arranca?

- Está a chamar hippy, velho e ampanado ao Tangas?

- A menina é que comecou...

- Não desconverse, caramba. Estou aqui a tentar chegar a uma conclusão.

- E que conclusão é essa, posso saber? É que a menina funciona em piloto automático, assumindo que o que diz é óbvio para toda a gente.

- Pronto, eu reformulo: acha que o Tangas está empanado?

- Não, não acho. Acho que a Sammy está a picá-la, para ver se a menina deixa de estar para aí entretida a ver as vistas e se nos conta das suas de novo.

- As vistas... Ai, sabe lá... Isto aqui na terra das bifas ainda é mais fechado que na terrinha...

- Como assim?

- Junte homofobia à timidez doentia das bifas e vai ver o resultado da equação.

- A sério? Não fazia ideia...

- É verdade. A menina não imagina a trabalheira que dá ser out aqui também.

- É para aprendermos a não assumir permanentemente que a galinha da vizinha é melhor do que a nossa.

- Isso é bem verdade.

- Então podemos contar com crónicas suas para breve?

- Claro, claro. Entretanto, não me quer fazer a menina um favorzinho?

- Diga.

- Chegue-se aqui para o meu lado, que começa a fazer um frio dos diabos nesta terra...

- Hum...



publicado por Tangas às 14:11
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
redoma hetero

- A menina já se deu ao trabalho de ler isto?

- O quê?

- Estas estatísticas sobre as primas. São assustadoras...

- Deixe-me ver.

- Tome lá. Até estou arrepiada.

- "Cerca de 90 por cento das lésbicas e gays crescem em lares hetero." É isto?

- Exactamente. Não é espantoso?

- "Com consequências devastadoras sobre o seu desenvolvimento psicológico e futura capacidade para acreditarem em si mesmos enquanto indivíduos de pleno direito, afectando globalmente a sua forma de interagir com os outros e provocando mesmo uma forma de stress pós-traumático cujas consequências ainda estão por avaliar."

- Veja lá... Inacreditável, não é?

- Lá isso é. "Estima-se que pelo menos trinta por cento dos pais destas lésbicas e dos gays são, eles próprios, homossexuais no armário, contribuindo muitos deles, por esse facto, de forma negativa para a educação das crianças. A sua forma passiva e reprimida de viver a sua sexualidade traduz-se, amiúde, em conceitos negativos sobre a sua condição que afectam o pleno desenvolvimento dos seus filhos e filhas."

- E veja aqui: "A maioria dos pais hetero reprime ou contraria de alguma forma as tendências destas crianças, sugerindo desde uma tenra idade a sua inadequação perante a sociedade, com gravíssimas consequências para a sua auto-estima. Cerca de 80 por cento submete-os mesmo a tratamentos psicológicos e/ou psiquiátricos para os obrigar a mudar a sua forma de estar. Em alguns casos recorrem mesmo a internamentos forçados e, quando essa medida se revela inútil, são comuns as agressões físicas,  A expulsão do lar familiar é outra medida repressiva habitual durante a adolescência das lésbicas e dos gays." 

- Incrível...

- "Apenas uma minoria destes pais hetero apoia a orientação sexual dos seus filhos. Mesmo assim, na maioria dos casos as crianças e adolescentes são confrontadas com uma reacção de dor, tristeza ou preocupação por parte dos progenitores, sintomas 'resignados' de que a sua condição é claramente uma desvantagem em relação aos outros." 

- Que coisa! E olhe esta parte aqui: "A maioria das lésbicas e dos gays que passaram pela terapia 'correctiva' confessa ter sentido, pelo menos, terror, vergonha e culpa, durante as sessões de tratamento a que foram sujeitos. Na maioria dos casos, os profissionais de saúde limitavam-se a confirmar as noções negativas impostas pela família e a reafirmar todos os sentimentos de inadequação dos indivíduos, recorrendo por vezes a tácticas de autêntico terror para condicionar as crianças e adolescentes homossexuais."

- E com tanto cuidado que há hoje com as crianças e com a legislação para as proteger, não há mecanismos de controlo desses abusos cometidos por profissionais de saúde e famílias repressoras?

- Aparentemente, este tipo de abuso de poder não é uma prioridade para as autoridades: "O problema parece estar no facto de se considerar que estes casos afectam apenas uma minoria pouco expressiva da população. E uma vez que os graves efeitos destas péssimas práticas pedagógicas e psicológicas só se revelam em pleno muitos anos após a sua ocorrência, é fácil dissipar as causas entre muitos factores que entretanto se verificam na vida dos indivíduos. Muitas vezes, são os educadores dessas pessoas e os profissionais que os maltrataram a consubstanciar outras razões para as consequências dos seus abusos nas lésbicas e nos gays. Seria necessário implementar medidas oficiais de denúncia dessas práticas para que começassem a ser entendidas como crimes inaceitáveis contra o indivíduo."

- É isso mesmo! Não há nenhuma comissão das Nações Unidas para a protecção de jovens e menores homossexuais em risco?

- A menina é crente...

- Estou a falar a sério.

- Bem sei. Ouça esta parte, que também é interessante: "A maioria dos hetero criados por mães lésbicas e pais gay é, em contrapartida, educado com grande liberdade. A preocupação das mamãs e papás homossexuais com o que consideram injusto e discriminatório pode estar a formar uma nova geração de heteros conscientes e pouco dispostos a contemporizar com esta realidade."

- E não acha que eles, mesmo assim, serão uma minoria?

- Talvez não. Até porque hoje em dia, a norma já é outra. É rara a prima ou o primo que não tenha família ou amigos hetero. Agora até nós reparamos neles.

- É verdade. É apenas uma realidade ainda não assumida. Acha que também vai haver um armário hetero?

- Não me parece. Acho que já há é uma redoma hetero, em que eles guardam as chaves do armário. Leia esta parte: "A maioria dos estudos e estatísticas sobre lésbicas e gays refere apenas a percentagem de homossexuais que se assumem inteiramente. Não a maioria que, ainda condicionada pelos abusos hetero, continua a acreditar que é melhor mentir do que revelar a sua verdadeira orientação sexual."

- Mas é um gato escondido com o rabo de fora, não é?

- Claro. Porque depois não resistem a aparecer nos restaurantes, nas discotecas, nas festas e em todo o lado. A multidão dá-lhes força. Mas confessar, cara a cara com um investigador, para efeitos de estatística, continua a ser o "pecado" que vem desde a infância, com a gravação da voz do papá e da mamã muito pouco satisfeitos com as "brincadeiras" que a menina ou o menino tiveram.

- Ainda vão ser necessárias um par de gerações para erradicar o veneno.

- É verdade. E eu agora precisava que a menina me erradicasse aqui um veneninho que me está a roer por dentro...

- Está? Eu tenho ali dentro um remédio sensacional. Quer experimentar?

- Não pode ser aqui mesmo? É que já mal me aguento. Acho que estou a sucumbir ao tal veneno...

 




Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
orgulhos participados

(a condutora designada a pedir indicações na berma da estrada para Mira)

 

- Para quem não queria ir a Orgulho nenhum, parece-me que a menina afinal sempre se divertiu em Mira, não foi?
- Por acaso foi. Só tenho pena que não façam discotecas e Orgulhos para não fumadores.
- Temos de fazer uma proposta para o ano que vem.
- Olhe que bela ideia: Orgulhos sem fumo. Quem quiser vá fumar para a varanda e depois entre. Será que nos ligam alguma?
- Não sei. Mas não é a menina que diz que se não abrirmos a boca ninguém nos ouve?
- Tem toda a razão. Vamos lá escrevinhar uma proposta e tentar que, para o ano, os Orgulhos sejam smoke free.
- E, já agora, por que não aproveitamos para organizar os Orgulhos Participados?
- Como assim?
- Este ano fomos aos Orgulhos do Porto e de Mira, não foi? Falhámos o de Lisboa, mas não se pode estar em todas...
- Com muita pena nossa, que já tínhamos compromissos para esse dia.
- Pois é. mas para o próximo ano, podemos propor a todos os organizadores os Orgulhos Participados. Ou seja, cada organização trata de se preparar para participar nos outros Orgulhos. Cada um escolhe um tema e organiza o seu grupo de forma a aparecer e distinguir-se na marcha.
- Como nós queremos fazer com o Elas a Norte?
- Justamente. O Elas a Norte vai juntar forças e fazer os possíveis por ir ao Orgulho de Lisboa, ao do Porto e ao de Mira. E tal como nós, que resolvemos ter esta iniciativa, outras pessoas poderiam começar a pensar no mesmo e, para o ano, juntar um grupo de amigos e de amigas e participar num ou em todos os Orgulhos, com um tema que lhes seja particularmente caro.
- Olha que ideia mais positiva a sua... Vamos já contactar toda a gente. Afinal, cada Orgulho é uma festa e podemos participar nela como acharmos mais agradável.
- É uma forma de mostrarmos a nossa forma de estar. Não há gente que leve amigos e políticos aos Orgulhos?
- Claro. Até podem escolher um padrinho famoso e organizar-se de acordo com isso. Ou pegar nos pais e nas famílias e formar o grupo de apoio ao Orgulho da Prima Maria, por exemplo.
- Há imensas hipóteses. Só dependem da criatividade de cada uma, ou de cada um. Mas lá que era giro haver bastante gente a fazer isso, era.
- Não precisa de dizer mais nada para me convencer. Vou já mandar uma mão cheia de e-mails para toda a gente.
- Mande, mande, que depois vai precisar de uma mão cheia de vontade para me ajudar a organizar o meu grupo.
- Que grupo? A menina e eu já somos grupo que chegue, não acha?
- Não se ponha já para aí com a ciumeira. Vá, fale lá com as vizinhas, se isso a faz sentir mais apoiada.
- Apoiadíssima. E qual vai ser o nosso tema?
- Isso são outros trezentos. E é coisa para se discutir em grupo, na próxima reunião do Elas a Norte.
- Ora bem...



publicado por Tangas às 17:30
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
eu vou, eu vou, ao mira pride eu vou...
- Onde é que a menina vai, assim aperaltada?
- Vou para o Mira Pride.
- Não esteve ainda o fim-de-semana passado no Porto Pride?
- Estive. Mas ainda há este e eu não quero deixar de participar.
- E a seguir, para onde é que vai orgulhar-se?
- Para lado nenhum, espero, que ando absolutamente estourada com todas estas festas.
- Bem pode andar. Não há fome que não dê em fartura. Ainda aqui há meia dúzia de anos revirávamos tudo para arranjar quem fosse ao Pride em Lisboa. Agora, dá-se um passo e descobre-se uma festa nova.
- Não me diga que agora deu em criticar-nos pelo excesso, como os que ralham connosco porque não precisamos de nos exibir e que está tudo bem se tirarmos os excessos?
- Não, pelo amor da santa. Vá lá ao Mira Pride e com a minha bênção...
- Não quer vir?
- Nem pensar. Vá a menina, que eu fico aqui a descansar as pernas em frente à têvê e sempre me protejo melhor dos calores em casa.
- A que calores se refere?
- A esses que a gente sente com as pikenas todas à nossa volta, de mãos dadas, a passar-nos pela esquerda e pela direita, a agitar bandeiras e cartazes, “olha as cores do arco-íris, é pró menino e prá menina”, mais as trocas de números e as combinações para a noite. Ai, que até fico mareada...
- Veja lá se quer que eu a atire pela borda fora para lhe passarem os calores...
- Não seja mazinha... Se ainda agora lhe confessei que não vou e por que razão...  O que é que a menina pode ter contra mim? Afinal, quem é que vai para o Pride com um top com coraçõezinhos lilases agarradinhos uns aos outros?
- Mas eu não sofro de calores, como certas descaradas que eu cá sei.
- Nem podia, minha querida, nem podia. Como é que se pode ter calor com roupa que mais parece do recato da praia do que da agitação manifestante?
- Está a dizer que vou muito despida?
- De forma alguma, menina, de forma alguma. Só estou a constatar o facto de que vai a contar com o calor humano da marcha.
- Ai os ciúmes...
- Se há coisa que não sou é ciumenta. Mas também não nasci jumenta...
- Está a insinuar que vou para lá pavonear-me para as outras?
- Insinuar? Eu? Não, nem pensar. É um simples aviso à navegação, meu amor. E já que falamos nisso, como não vou consigo, arranjei-lhe companhia.
- Não é preciso. Vou muito bem sozinha.
- Nem pensar, minha querida. Despache-se que elas devem estar a chegar.
- Elas? A quem se refere???
- Às nossas queridas amigas do terceiro andar.  Nem precisa de levar o carro que elas dão-lhe boleia.
- As do terceiro andar? Aquelas com quem a menina não gosta nem de ser vista?
- Ai que hoje deu-lhe para a má-língua... São moças excelentes, companhias perfeitas para um Pride. Vá por mim que eu sei o que digo.
- Pois sabe. Vai com certeza fazer-se uma clareira de vários metros à minha volta, com esses dois cães de fila ao meu lado.
- Ai que desbocada... Até parece mal, começar a discriminar ainda antes de sair de casa. Afinal de contas, para que se dá ao trabalho de se manifestar? Não é para combater a discriminação?
- Eu dou-lhe a discriminação! Que grande lata...
- Depois, minha querida, depois, que são elas agora a tocar à campainha. Divirta-se...


publicado por Tangas às 01:06
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